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20 setembro 2006

Night Call - esclarecimento

O que se passa, Victor, é que há, desde logo, uma tendência para uma baixa geral das médias. As explicações não são convergentes, embora sejam aclaradas, em parte, pelo desinteresse progressivo dos jovens que é, pelo que li algures, cada vez maior. Falo, claro está, num panorama geral.

No que ao nosso curso diz directamente respeito, os nossos professores esquecem-se, não sei se inocentemente, de separar duas áreas que acabam por diferenciar os cursos. São elas o ensino, por um lado, e a investigação, por outro. Se bem sabes, e penso que este é um conhecimento geral dos alunos de CS da Universidade do Minho, o nosso curso obteve um Very Good, sendo o único a nível nacional, numa avaliação feita por um grupo de analistas internacionais e, portanto, neutros. Mas sabes que este tipo de avalição diz respeito a tudo o que engloba o curso. No caso do Minho, dá-se, na minha opinião, maior importância à investigação. Parece estranho, mas posso dizer-te - e concerteza terei colegas do meu ano que o poderão confirmar -, que já tivemos um professor que nos disse que era pago para investigar. Este tipo de declarações permite-nos concluir que essa é a vertente privilegiada. Não quero, de todo, generalizar, mas quando falamos no "melhor curso" devemos ter em atenção os aspectos subjectivos que tal expressão acarreta.

Não quero ser pessimista nem, tão-pouco, desvalorizar os professores que temos, mas basta ires à Universidade Nova de Lisboa, ao curso de Ciências da Comunicação (correspondente ao nosso jornalismo) e ver quem são alguns dos professores que lá leccionam.

3 Comments:

Blogger Victor said...

Hugo:

Parte do que me contas é novidade para mim. Não fazia ideia que houvesse, entre os docentes de CS, aqueles que são pagos, ou se consideram como tal, para investigarem.

Também tenho dúvidas sobre a razoabilidade da análise que propomos, baseada nas notas de entrada dos últimos candidatos colocados em cada curso de CS/Jornalismo

Dito isto, acrescentaria que vejo a tua interpretação com algumas reservas.

Para mim, uma avaliação a cargo da Fundação das Universidades Portuguesas (FUP) é tão idónea e credível (se calhar, pensando bem, talvez até mesmo mais) quanto o é, em princípio, o parecer de uma qualquer comissão de peritos internacionais.

Aceitando porém que há subjectividades presentes em qualquer processo avaliativo, essas não parecem interferir no resultado da avaliação a que o nosso curso já foi sujeito. Na avaliação da FUP, o Dep. Comunicação da UM tem o melhor curso, na avaliação dos peritos estrangeiros, o mesmo departamento dá guarida ao melhor centro de investigação da sua especialidade. Ou seja, o reconhecimento chega de diversos lados e engloba diversos aspectos.

Por outro lado, conheço suficientemente o processo de avaliação da FUP. Aliás, não há muito pouco tempo, há dias mesmo, procurei na net o relatório da avaliação. Infelizmente não o encontrei no site da Fundação (se alguém tiver cópia ou souber para ondeanda, agradecia...), embora por lá tenha encontrado o de Sociologia da UM. E o que verifico é que o local onde se ministra o melhor curso de CS, onde reside o melhor centro de investigação não parece ser atractivo para os candidatos ao acesso com as melhores notas.

Será por causa dos nomes dos professores? Duvido, e além do mais não sei quanto "vale" o apelido Traquina ou qual a "cotação de mercado" do apelido Fidalgo. Mas tenho quase a certeza que a esmagadora maioria (se não mesmo a totalidade) dos candidatos ao curso de CS-Jornalismo não tem, no momento em que pondera a sua candidatura, noção do "peso" de cada professor, quando não mesmo desconhecem por completo a composição do corpo docente.

Penso noutra explicação: o sétimo lugar do nosso curso no "ranking" com as notas dos últimos colocados deve-se fundamentalmente à falta de conhecimento, por parte dos candidatos e futuros candidatos, do nosso curso e do valor que outros lhe reconhecem.

9:02 da tarde

 
Blogger pedroromano said...

Para uma avaliação deste genéro é melhor levar em conta a média da nota de entrada de todos os alunos que ingressaram no curso, ao invés da nota do último colocado.

Dou como exemplo o curso de física na Universidade do Porto. A nota do último classificado (vulgarmente chamada de... «média»...) é 10.85. Contudo, se olharmos para as notas dos restantes alunos o panorama é bem diferente: num curso de 40 vagas (das quais duas ficaram por preencher) é assustador o número de alunos que se candidataram com médias de 17, 18, 19, e mesmo 20.

5:53 da tarde

 
Blogger Victor said...

Pedro:

Tens alguma razão no que dizes, ou seja, a nota do último colocado ser baixa não invalida que haja alunos com as melhores médias (isto é, os melhores alunos) a entrarem no nosso curso.

Mas a nota do último colocado permite-nos perceber que o conjunto dos melhores alunos ínclui médias mais baixas do que as de outros cursos. Isso poderá estar directamente relacionado com o número de vagas disponíveis, não sei...

5:57 da tarde

 

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